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Diga se não é!

Einstein não desenhava

 

Dezenas de amigos já tinham colocado a frase “O único lugar onde sucesso vem antes de trabalho é no dicionário.” em seus perfis em redes sociais, e isso nunca me incomodou. O autor é o estilista londrino Vidal Sassoon, mas na internet é predominantemente atribuída a Albert Einstein. Ontem falei com uma amiga que eu tinha certeza de que a frase não era de Einstein. “Como é que você sabe?”, perguntou ela. Expliquei que já tinha ouvido falar muito bem de Einstein. Ainda bem que ela não me perguntou de quem era, não porque a minha ignorância fosse me incomodar, mas por não querer deixá-la sem resposta, já que criei a dúvida.

Antes da googlada que dei agora, nunca tinha ouvido falar desse estilista, mas eu tinha certeza de que Einstein sabia algo mais que a ordem alfabética usada no dicionário, e imaginava que, entre tantas descobertas geniais, ele certamente sabia de muitos outros lugares e setores onde o sucesso vem antes do trabalho. Infelizmente a minha amiga conheceu a autoria da frase em um livro. O “infelizmente” acaba aqui. De autoajuda.

Lembro de algumas vezes em que recebi por e-mail textos atribuídos a Luís Fernando Veríssimo, e, como fui atento leitor dele, ter respondido ao remetente que aquilo não era verdade, apesar de eventualmente o escrito ser bom. Isso acontece muito com Caetano Veloso, Arnaldo Jabour e outras pessoas famosas. É muito frequente na internet alguém, um dia, por gostar muito de uma frase ou texto, tentar valorizá-la, dando, nessa nefasta democracia do anonimato virtual, a sua autoria a alguém que considere mais inteligente. Noutras vezes algumas pessoas não citam o autor e um terceiro reproduz o escrito dando o crédito a elas. Já encontrei textos meus sobre concursos, anteriormente publicados em jornais, assinados, em páginas institucionais, por outra pessoa. Isso pode ser erro de um auxiliar descuidado, como pode ser má-fé, mas acho estranho que alguém se arrisque tanto, expondo-se ao ridículo.

A mais grave de todas as injustiças que conheci foi a atribuição da autoria de trecho do poema “No Caminho, com Maiakóvski” do poeta Eduardo Alves da Costa de Niterói – RJ, ao dramaturgo alemão Bertold Brechdt ou ao poeta russo Vladimir Maiakóvski. Isso foi fruto de um erro do psicanalista Roberto Freire em um de seus livros. Transcrevo o poema em homenagem ao autor, destacando em vermelho a parte mais conhecida, e cuja autoria foi usurpada.

A internet é boa, mas precisamos ter muito cuidado. Einstein não entendia de moda.

(Waldir Santos)

 

“No Caminho, com Maiakóvski

Eduardo Alves da Costa

 

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita – MENTIRA!”

***

Um País inacreditável

Todos sabemos que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é corrupto. E os times para os quais torcemos continuam mantendo ele no cargo, para vergonha do País perante os olhos do mundo.

Na entrevista que ele à Revista Piauí  desta semana, ele disse que “caga de montão” para as denúncias de corrupção que envolvem seu nome em processo que corre na Justiça da Suíça, chamou a imprensa brasileira de “vagabunda” e questionou: “que p*rra as pessoas têm a ver com as contas da CBF?”

Por fim, ameaçou fazer represálias a jornalistas que o criticam. “Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Porque eu saio em 2015. E, aí, acabou”.

E a imprensa vai fazer o quê? Nada. E os times vão fazer o quê? Manter-se em silêncio, pois seus dirigentes não são santos. O Ex-presidente do Bahia, Marcelo Guimarães, pai do atual, foi preso e algemado não tem muito tempo.

***

A imprensa mordeu a isca

De novo o governo age com inteligência maléfica. Enquanto os jornalistas questionam a liberdade de assaltantes, o verdadeiro propósito da lei 12.403/2011 não foi notado: proteger os corruptos da prisão. Veja alguns crimes que não gerarão prisão em flagrante ou preventiva: corrupção passiva; corrupção ativa e lavagem de dinheiro; crimes de colarinho branco.

 

Outros crimes não mais sujeitos à prisão em flagrante ou preventiva: estupro; lesão corporal seguida de morte; furto qualificado; roubo; extorsão; crimes ambientais; tráfico de droga. Mas esses foram para chamar a atenção dos questionadores afoitos. O verdadeiro objetivo é impedir a prisão de corruptos.

 

É impressionante como a discussão é dirigida para assustar a população ante a iminência da soltura de presos, ao que os defensores da lei respondem dizendo que é alarmismo.

O mais importante ficou esquecido. O povo mais uma vez está sendo enganado. Se antes ficava indignado quando o Supremo soltava um criminoso de colarinho branco, hoje ele nem precisará se dar a esse trabalho. Não haverá mais presos desse tipo.

 

Nem as vadias nas marchas perceberam isso: estupro também está liberado.

***

Baiana de São Filipe pode ser a mais velha do mundo

NOTA: O Município de Conceição do Almeida foi emancipado em 18 de julho de 1890, sendo seu território desmembrado do Município de São Filipe, verificando-se a sua instalação a 04 de agosto do mesmo ano. Assim, Dona Maria Izídia nasceu no município de São Filipe, que naquela época abrangia as terras da localidade da Mombaça, e é minha conterrânea.

Maria Izídia da Conceição, uma senhora com 123 anos e perto de completar 124 no próximo dia 1º de julho, pode ser a mulher mais velha do mundo, de acordo com documentos apresentados pela família. Consta na sua carteira de identidade e na certidão de nascimento que ela nasceu no dia 1º de julho de 1887. Naquela época não havia água encanada e eletricidade, mas ainda havia escravidão, já que Dona Maria nasceu um ano antes da abolição, que aconteceu em 1888. A segunda via do RG e do CPF foram emitidas em 1997, já a certidão de nascimento, em 1971. Sem nenhum outro documento da época, Dona Maria alega que nasceu há 123 anos. Ela é viúva e não teve filhos, mas criou quatro irmãs filhas de uma comadre.

Centenária, Dona Maria, que é carinhosamente chamada por Sofia, vive hoje no município de Sapeaçu e viveu fatos importantes da história do Brasil, como a libertação dos escravos, e ela é uma descendente de escravos. Esta senhora, que fumou até os 120 anos de idade fumo de rolo, pode ser a mulher mais velha do mundo. Durante os tempos em que trabalhou foi cozinheira para fazendeiros da região de Sapeaçu, onde mora hoje com uma filha de criação, Maria das Graças Coelho, de 56. Ela nasceu na localidade de Mombaça, zona rural do município vizinho, Conceição do Almeida, mas foi registrada em Santo Antônio de Jesus. Dona Maria não tem nenhum parente próximo, só as filhas e os sobrinhos de criação. A aposentada não foi alfabetizada.

Familiares que hoje criam Dona Maria afirmam que ela pode concorrer ao título de mais idosa do mundo porque nasceu antes da americana Besse Cooper, de 115, que atualmente detém o título, segundo o Guinness Book, o livro dos recordes mundiais. Quem garante também que Dona Maria é realmente a mulher mais velha do mundo é o produtor rural e presidente da Associação dos Pequenos Produtores de Orgânico do Recôncavo, Pedro Coni. Foi ele quem descobriu a longevidade de Dona Maria junto com o sobrinho dela, o cantor de forró Chico Almeida. “Como nessa região tem muito idoso e perto dos cem anos ou até mais, comecei a pesquisar. Descobri com Chico Almeida que a tia dele pode ser a mais velha, já que fará 124 anos em julho. Se não for do mundo, é do Brasil e se não for, é da Bahia”, ressaltou Coni.

Dona Maria criou quatro tias do forrozeiro Chico Almeida, de 50 anos, já que não teve filhos e sempre gostou de criança. Segundo ele, depois que dona Maria ficou viúva passou a viver sozinha e pegava as filhas de uma comadre para criar. “Desde pequena ela pegava e criava. Assim ela fez com quatro primas minhas, que só saíram da casa dela casadas”, contou o forrozeiro, cujo avô morreu aos 84 anos e teve 43 filhos.

Maria das Graças Coelho, de 56 anos, é quem cuida de dona Maria, que é aposentada e vive com R$ 545. Ela é uma das quatro filhas de criação da aposentada. De acordo com ela, a aposentada não anda. Teve dois acidentes vasculares cerebrais e mesmo assim se arrisca a falar algumas palavras. Os dois derrames a deixaram com mobilidade reduzida. Atualmente ela se locomove com cadeira de rodas. Além disso, sofre de pressão alta. Apesar da longevidade, mantém um pouco de lucidez, mas pouca audição. “Eu plantava fumo, mandioca e ajudava meu marido a limpar a roça. Cozinhava para um fazendeiro, Eliodoro Almeida, que me criou”, lembra Dona Maria. (Cristina Pita/Fotos Tino Alves)

Fonte: www.blogdovalente.com.br, com a correção no título, justificada na nota.

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